Artigos e crônicas – edição 1264

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Muito se fala dos malefícios que o tabagismo pode provocar no coração e pulmões, além do enorme impacto que causa para aumentar a incidência do surgimento de câncer na boca, língua, garganta e bexiga. Porém, a maioria das informações que estão em artigos populares, de utilidade pública, não entra no mérito do impacto que o tabagismo pode ter para o surgimento de dores nas costas, tanto na região lombar como na cervical levando ao aparecimento da degeneração do disco e, consequentemente, a hérnia discal.
Diversos estudos médicos e científicos confirmam que o tabagismo é um forte fator de risco para dor lombar, ressaltando que os componentes presentes no cigarro aumentam o nível de circulação da carboxi-hemoglobina, substância que não carrega o oxigênio para os tecidos do corpo, fato que causa má nutrição do disco e induz sua degeneração. Acredita-se também que a doença vascular generalizada causada pelo tabagismo contribua para este processo.
Degenerar, no caso da doença do disco e traduzindo para a linguagem comum, significa envelhecer. Com o tempo, o disco perde água e as células que normalmente têm um ritmo de morte e nascimento, têm uma tendência maior à morte. Como tais células são responsáveis pela produção das substâncias que compõem o disco, este entra em processo de colapso.
Estudos recentes com culturas de células in vitro e ratos também comprovam que a nicotina tem um efeito direto no dano celular do disco e a resposta é tempo-dependente, ou seja, quanto maior o tempo e a quantidade de cigarros que o indivíduo fuma, maior seria o grau de impacto na degeneração do disco.
Falar de degeneração do disco é falar da causa mais importante de um dos problemas de saúde mais comum entre os brasileiros, que é a dor nas costas. A degeneração do disco leva ao início do colapso da unidade funcional da coluna, composta por 2 vértebras, 1 disco e 2 articulações. Ela leva a sobrecarga destas articulações, com possibilidade de envelhecimento e aparecimento de irregularidades articulares, o que gera a dor mais característica deste processo, que é a dor diante de movimentos do corpo.
A musculatura e os ligamentos que auxiliam na harmonização desta unidade funcional também ficam sobrecarregados e podem ser estruturas geradoras da dor. Portanto, se você fuma ou conhece alguém adepto do tabagismo, estimule amplamente a necessidade de parar de fumar, pois só a abstinência do cigarro pode auxiliar o indivíduo a controlar a dor nas costas e evitar o aparecimento de doenças na coluna.
Para aqueles que consideram o cigarro um grande amigo, um companheiro para as horas de nervosismo ou solidão, cuidado, ele pode ser também o maior inimigo de sua coluna.
*Dr. Eloy Rusafa é neurocirurgião especialista em coluna com técnicas minimamente invasivas para solucionar doenças e problemas. Tem o título de Especialista e Membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.

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