Coluna: O encontro das letras

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Levar vantagem é sinônimo de desonestidade? Tirar proveito da inexperiência do próximo é imoral, ilegal?
Estava a fazer compras num grande super-mercado de Marabá. Recentemente abriram uma filial da rede em Parauapebas. Instalações gigantes, bonitas e com bastante espaço para locomoção. O que me causou espanto foi a quantidade de mercadorias vencidas ou faltando um, dois dias para vencer!
Os clientes incautos e desatenciosos certamente não checam a data de validade do produto que compram. E levam produtos vencidos ou perto de vencer. Vender alimentos cuja data de validade expirou é crime! E deixar na prateleira produtos com data de vencimento próxima? É crime ou esperteza?
Outro dia vi uma reportagem orientando os consumidores a não comprarem produtos embalados pelo próprio estabelecimento. Sabe aqueles pacotinhos de queijo, presunto; pertences de feijoada, linguiça, bacon? Pois é… Segundo a reportagem, alguns estabelecimentos usam produtos vencidos e os colocam em embalagens pequenas para reaproveitá-los. Não sei porquê, mas não fiquei surpreso. A questão é que muitos consumidores preferem ou precisam comprar quantidades pequenas de certos produtos.
Sempre comprei peixes e camarões numa peixaria grande e famosa da Cidade Nova, em Marabá. Este ano, paguei mais pela água congelada que enchia os frutos do mar, que pelos pescados em si. Mais da metade do peso do peixe e camarão era de água. Reclamei. Liguei para o Procon. Voltei lá. Continuam vendendo água com peixe!
Será que isto é só comigo? Não há fiscalização?
Fui à feira do Rio Verde, em Parauapebas. Comprei 1 kg de camarão seco salgado. O vendedor, muito simpático e brincalhão, disse que aquele camarão era especial! Tirei até foto! Só não disse qual era a especialidade! Ao preparar o “camarão”, notei que mais de meio kg era de casca da cabeça. Até pedras de sal grosso tinha!
Já foi o tempo em que eu “armava barraco” por questões como esta. O desgaste é muito grande. E a gente vai deixando passar. Este é o problema. Como estamos acostumados a ser passados para trás! A roubalheira, a corrupção não nos assusta! Estamos inconformados, mas resignados! Movimentos e passeatas contra a corrupção reúnem muito menos pessoas que um jogo de futebol, uma passeata de homossexuais, uma cavalgada para a abertura de uma feira! Que coisa triste…
Outro dia, vi uma postagem no Face sobre alguém que achou uma carteira com documentos e 390 reais em dinheiro. Procurava pelo dono e muitos compartilharam. Era um jovem da igreja Sara Nossa Terra que achou. Seria ele um “divergente”? O filme vira realidade? O problema é que coisas boas aparecem pouco. Persiste a falsa ideia de que só existem coisas ruins no nosso país! Ao fazer compras numa pequena mercearia do Rio Verde, a moça do caixa me passou o troco errado! A conta dera 23 reais. Ela me olhou com cara feia, conferiu o troco e disse que estava certo. Um senhor se aproximou e perguntou qual era o problema. Já me olhou desconfiado. Começou a falar um monte de besteiras, que o mundo estava cheio de gente esperta querendo tirar proveito dos outros. Disse que iria ver a filmagem, blá-blá-blá… Não me deixava falar! O fato, foi que tirei uma nota de 100 e a moça perguntou se eu não teria nota menor! Disse que não. Enquanto ela procura por troco na gaveta do caixa, encontrei uma nota de 50! Ela estava conversando com outra pessoa e se distraiu. Deu-me troco a mais. Deveria ter dado troco de 27 reais e deu-me 77!
Eu fiquei ali, rindo. O riso deixou-os mais irados! Perguntei se poderia falar, com toda a calma. Eles ficaram olhando pra mim. Aí contei o que tinha acontecido! Claro, eles não couberam em si de vergonha. Pediram-me muitas desculpas, mas o fato já estava consumado!
Mais uma vez insisto em que há mais pessoas honestas que desonestas. No entanto, a desonestidade aparece mais. Pegue uma camisa limpinha e branquinha. Pingue uma gota de tinta escura nela. As pessoas só verão a pequena mancha, como se fosse a maior sujeira do mundo! Ninguém notará a brancura do resto da camisa, a limpeza, a pureza!
Todos reparam no mal que fizeram a Cristo! Como não notar na coroa de espinhos, nas feridas, nas marcas das chicotadas? No amor que Ele teve e tem por nós, na razão do seu sofrimento, poucos notam!
As grandes operadoras telefônicas nos enganam e nos tiram milhões todos os dias. Serviços de internet veloz e conexão ilimitada enchem-nos os olhos nas propagandas maravilhosas que passam na mídia. O que recebemos nunca é o que nos é oferecido. E daí? Poucos são aqueles que buscam ressarcimento na justiça! Ninguém liga…
Quem nunca se sentiu lesado nos seus direitos que o diga…
E a gente vai levando esta vida…
E você? Já testemunhou algo desonesto? Não?!! Parabéns!

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