‘Corrupção é crime de baixo risco’, diz procurador que atua na Lava Jato

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O procurador da República, Deltan Dallagnol, afirmou nesta segunda-feira (16), durante a apresentação de denúncia contra acusados de crimes investigados pela Operação Lava Jato, que o sistema de Justiça criminal do Brasil precisa ser aperfeiçoado. Segundo o procurador, o Ministério Público Federal(MPF) deve apresentar na quinta-feira (19) uma série de medidas para tornar a punição de crimes de corrupção mais efetiva.
“Hoje a corrupção é um crime de baixo risco, se nós queremos combater de forma efetiva a corrupção, nós devemos transformá-la num crime de alto risco”, afirmou procurador, citando como exemplo uma experiência efetivada em Hong Kong. Segundo Deltan, o MPF enfrenta no dia-a-dia uma série de problemas que impedem que sejam obtidas condenações definitivas, e que corruptos sejam presos.
Conforme Dallagnol, é preciso deixar de lado a “Teoria da Maçã Podre”, que se limita a afastar envolvidos em ilicitudes, mas atacar os fatores organizacionais  e estruturais que influenciam o surgimento da corrupção. “Nós precisamos de mudanças no nosso sistema político e no nosso sistema de Justiça criminal. Especialmente no tocante ao sistema de Justiça criminal nós precisamos de uma Justiça criminal mais efetiva”, disse.
“Hoje só podemos acusar agentes públicos por corrupção se nós tivermos prova do ato corrupto. Não basta provar se uma determinada pessoa, funcionário público que sempre ganhou um valor moderado ao longo da história, tem zilhões de reais no exterior”, afirmou o procurador. “Se nós tivéssemos o crime de enriquecimento ilícito, nós estaríamos hoje nesta data oferecendo acusação criminal contra Zelada (Zelada foi diretor entre os anos de 2008 e 2012, e, segundo relatado por Paulo Roberto Costa em acordo de delação premiada, também era beneficiário do esquema de corrupção que atuava na estatal)”, concluiu.
Fonte: Fernando CastroDo G1 PR
Edição de texto: Pedro Nascimento

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