Seguranças de área da Vale são acusados de espancamento em Canaã

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Não é a primeira vez que seguranças de áreas da Vale são acusados de abordagens agressivas verbal e fisicamente, no município de Canaã dos Carajás.

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Desta vez, pai e filho moradores da VP-12 denunciam que foram brutalmente espancados por 10 guardas da área munidos com armas de grosso calibre e encapuzados.

Segundo a carta da filha de um dos agredidos, eles foram amarrados e torturados. A esposa de um deles também foi agredida verbalmente na presença de uma criança de apenas três anos. Confira na íntegra:

“A última segunda-feira, 27, foi um dia de muita angústia para mim e todos os nossos familiares. Eu estava na fazenda do meu pai, localizada na VP-12 e a propriedade faz divisa com o Projeto S11D, e na ocasião, ele e meu irmão saíram cedo junto com alguns trabalhadores para consertar uma cerca para impedir que o gado se perca em meio a área da Vale, já que a mineradora nunca cumpriu com o que a justiça determinou que seria fazer a cerca em todo o ramal ferroviário.

Então, no local que meu pai estava trabalhando apareceram guardas questionando o que estavam fazendo. Em resposta meu pai afirmou que estava solucionando o problema relacionado à saída do gado de sua propriedade, e em seguida ligou para minha mãe levar os documentos para eles verem que a Vale está em dívida em relação as cercas. Os seguranças fizeram uma ligação e logo chegou mais um veiculo com outros guardas, somando 10 ao todo. Encapuzados, com armas pesadas, spray de pimenta e facão, eles chegaram espancando meu pai e rendendo todos os trabalhadores que ali estavam. Meu irmão sem aguentar ver a covardia partiu em defesa do meu pai, nesse momento juntaram vários homens para espancar ele, jogaram spray de pimenta neles, deram vários socos, chutes e coronhadas. Meu irmão chegou a ter convulsões de tantas coronhadas na cabeça, e mesmo assim eles não pararam, amarraram os dois e continuaram o espancamento e ainda os ameaçaram de morte, eles só pararam quando minha mãe chegou com minha cunhada e um sobrinho de apenas três anos no local.

Agrediram minha mãe verbalmente e ameaçaram quebrar o celular dela. No desespero ela retornou para casa para me buscar e ligar para polícia, mais quando chegamos no local eles já tinham partido com meu pai e irmão, os demais trabalhadores saíram do local ainda rendidos sem poder olhar para trás, pois a ordem que deram era que se alguém olhasse levava tiro.

Ao chegarmos a Canaã dos Carajás fomos à delegacia onde estavam todos, a imprensa fez a reportagem e na hora da entrevista meu irmão passou mal novamente. E foi hospitalizado. Só que lidar com uma empresa desse porte é muito difícil, porque no país em que vivemos a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco ($). Então peço a todos que ajudem a minha família a fazer Justiça, a cobrar das autoridades que sejam justos. Vamos divulgar esse caso, por que essas pessoas não têm o direito de fazer tamanha covardia. Eu grito por justiça. Não podemos admitir que eles abafem esse caso. Me ajude Canaã, me ajuda região.”

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