
Direito e Justiça. Duas palavras que, à primeira vista, parecem caminhar juntas como irmãs inseparáveis. Mas, na prática, nem sempre o Direito consegue alcançar a Justiça, e nem sempre a Justiça cabe nas linhas frias da lei.
O Direito é um sistema de regras, normas escritas em códigos e constituições. Ele organiza a sociedade, estabelece limites, garante direitos e impõe deveres. É a linguagem do Estado, com suas vírgulas e artigos, tentando traduzir em papel a complexidade da vida humana.
Já a Justiça é algo mais profundo. Não se limita a livros, nem a tribunais. A Justiça nasce no coração humano, na sensibilidade de perceber o que é certo, o que é digno, o que respeita a essência da vida. Enquanto o Direito é técnico, a Justiça é ética; enquanto o Direito é letra, a Justiça é espírito.
No Brasil, tantas vezes vemos o Direito ser aplicado e a Justiça ficar à margem, como se fosse apenas um sonho distante. Outras vezes, porém, o povo, com sua voz e sua esperança, faz a Justiça florescer mesmo quando as leis parecem esquecê-la. É nesse espaço de tensão que mora a grande responsabilidade de quem lida com o mundo jurídico: não apenas aplicar regras, mas buscar o equilíbrio entre norma e humanidade.
Ser justo é mais do que cumprir leis, é compreender que cada ser humano carrega em si a dignidade que deve ser respeitada. O Direito é necessário, mas só tem sentido quando se abre para a Justiça.
E talvez a pergunta mais verdadeira não seja “o que é Direito?” nem “o que é Justiça?”, mas “como podemos fazer com que o Direito, aqui no Brasil e em qualquer lugar, seja, de fato, justo?”
Prof. Gleidinho Lima







