Dados de votação divulgados sobre duas seções eleitorais da zona rural de Novo Repartimento, no sudeste do Pará, apontam que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 326 dos 327 votos atribuídos aos candidatos. O resultado corresponde a 99,69% dos votos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) recebeu um voto, equivalente a 0,31%.
A votação ocorreu no domingo (25 de outubro), nas seções 152 e 163, vinculadas à 101ª Zona Eleitoral, em comunidades indígenas da etnia Parakanã. As comunidades são tradicionalmente lideradas pelos caciques Apoena Parakanã e Xawatirona Parakanã.
O resultado representa uma ampla preferência por Lula entre os eleitores que participaram da votação nessas duas seções. No entanto, os números apresentados, isoladamente, não permitem afirmar que se trata do maior percentual de votos recebido por um candidato presidencial no país.
Políticas indígenas em debate
O resultado ocorre em meio às discussões sobre a proteção dos povos originários e das terras indígenas. Durante o governo Jair Bolsonaro (2019–2022), a situação dos Yanomami ganhou repercussão nacional e internacional devido ao avanço do garimpo ilegal, à desnutrição, à disseminação de doenças e às dificuldades de acesso à assistência médica.
A cobertura jornalística, incluindo reportagens da jornalista Sônia Bridi, da TV Globo, ajudou a dar visibilidade à crise. Em 2023, no início do terceiro mandato de Lula, o governo federal declarou emergência de saúde pública no território Yanomami e anunciou ações de assistência e combate ao garimpo ilegal. Também criou o Ministério dos Povos Indígenas, comandado por Sônia Guajajara.
Apesar das medidas adotadas, a proteção territorial, a assistência à saúde e o combate às atividades ilegais continuam sendo desafios para as comunidades indígenas.
A votação em Novo Repartimento destaca a participação eleitoral dos povos originários em um contexto de debate sobre políticas públicas, direitos indígenas e preservação ambiental. A Constituição Federal, em seu artigo 231, reconhece os direitos originários dos povos indígenas sobre as terras que tradicionalmente ocupam.
Foto: Roberto Jayme/ Ascom/ TSE









