O que começou como a busca por adrenalina e pela realização de um sonho terminou em fome, medo constante e marcas difíceis de apagar. O baiano Redney Miranda, que deixou o Brasil para atuar como voluntário na Guerra da Ucrânia, retornou ao país após quase seis meses no front relatando perdas físicas e emocionais profundas.
Segundo o ex-combatente, a decisão de se alistar foi tomada de forma impulsiva. A intenção inicial era permanecer por poucas semanas, mas a realidade do conflito impôs uma rotina marcada por bombardeios, tensão permanente nas trincheiras e escassez de alimentos.
Durante o período na zona de guerra, Redney afirma ter enfrentado dias sem alimentação adequada. Em diversos momentos, a única opção disponível eram rações militares limitadas ou até mesmo apenas tempero de macarrão instantâneo. Como consequência, ele perdeu 28 quilos e retornou ao Brasil quase 30 quilos mais magro do que quando embarcou.
Além das dificuldades extremas, o brasileiro também sofreu ferimentos. Em um dos ataques inimigos, foi atingido por estilhaços de granada, chegando a ficar temporariamente com um lado do corpo paralisado. Ao longo da experiência no conflito, ele relata ter presenciado a morte de 17 colegas.
O retorno ao Brasil, no entanto, esteve longe de ser tranquilo. De acordo com Redney Miranda, ao decidir deixar a linha de frente, enfrentou resistência e chegou a ser perseguido por integrantes das próprias forças com as quais atuava.
De volta ao país, o ex-voluntário tenta retomar a rotina ao lado da família, mas admite que a experiência deixou traumas. Barulhos altos ainda provocam sobressaltos, reflexo dos constantes ataques vividos no front. A readaptação, segundo ele, tem sido gradual, especialmente no convívio com a filha pequena, que acompanhava parte da rotina do pai por chamadas de vídeo durante o período em que esteve na Ucrânia.
A experiência, afirma Redney, mudou completamente sua visão sobre a guerra e deixou cicatrizes que vão além das físicas.
Informações por Portal Tailândia
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