Ao ser preso por agentes da PRF, Aldo Furtado de Lacerda disse que era agente do TJDF; Tribunal confirma que ele exercia função voluntária e afirma que tomou ‘medidas cabíveis’ após prisão. Suspeito também já tinha uma condenação por homicídio.
Aldo Furtado de Lacerda, de 49 anos, o homem preso com R$ 2.508.500 em dinheiro vivo no porta-malas de um carro, no Pará, era agente de proteção da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT). Contra ele, também pesa uma condenação em segunda instância, por homicídio (veja mais abaixo).
A função de agente de proteção da Vara da Infância e da Juventude (VIJ-DF) é voluntária, sem remuneração, e os participantes são escolhidos por meio de credenciamento. Os agentes atuam para coibir violações de direitos de crianças e adolescentes em locais como estádios, bares, boates, cinemas e teatros.
Ao ser preso por agentes da Polícia Rodoviária Federal, Aldo Furtado de Lacerda disse que era “colega” deles, agente do TJDFT. A Corte confirma que ele atuava na função desde 2014, apresentou os documentos exigidos no credenciamento e que, após a prisão, “tomou todas as providências cabíveis”. Segundo o TJDFT, o homem foi descredenciado nesta sexta-feira (14) (veja íntegra abaixo).
Até a última atualização desta reportagem, o g1 não tinha conseguido contato com a defesa dele.
O veículo dirigido por Aldo Furtado de Lacerda foi abordado na altura do km 82 da BR-010, em Ulianópolis, no Pará. Segundo boletim de ocorrência, Aldo disse que ia de Brasília rumo a Belém para visitar uma namorada, e que a última vez que teria ido ao Pará foi no começo deste ano.
Ele se apresentou como agente do TJDFT, no entanto, quando questionado pelos policiais, não soube dizer a matrícula, nem informações sobre o trabalho.
A PRF afirma que, diante das respostas conflitantes, os policiais decidiram revistar o carro de Aldo. Os mais de R$ 2 milhões estavam divididos em notas de R$ 100, em quatro caixas de papelão no interior do veículo.
De acordo com o boletim de ocorrência, o homem ficou confuso e nervoso quando questionado sobre o dinheiro. Ele afirmou que era pagamento por atividades relacionadas a aluguéis de carros, onde trabalharia “por fora”.
Os agentes disseram que, diante das inconsistências, deram voz de prisão para o homem. Segundo a PRF, Aldo será investigado por lavagem de dinheiro.
Condenação por homicídio
O suspeito também já foi condenado por homicídio no Distrito Federal. De acordo com a denúncia, Aldo matou o próprio cunhado a tiros, em Samambaia. O crime ocorreu em abril de 2012 e, segundo o processo judicial, foi motivado por suposto assédio do suspeito contra a esposa da vítima.
Segundo a denúncia do Ministério Público, a vítima também trabalhava junto com Aldo, em um serviço de transporte, e foi demitido. O MP afirma que ele descobriu o assédio contra a esposa e confrontou o então cunhado.
Em defesa, Aldo afirmou que o homem estava armado e o teria ameaçado, por isso, alegou legítima defesa. No entanto, o Tribunal do Júri de Samambaia o julgou culpado. A pena foi fixada em 6 anos de reclusão, em regime inicialmente semiaberto.
O acusado recorreu, e a decisão foi mantida em segunda instância. Mas a Justiça permitiu que ele permaneça em liberdade até o trânsito em julgado da ação, ou seja, quando não houver mais possibilidade de recurso. Ainda há pedidos em análise nos tribunais superiores.
por: G1










