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      Como as chuvas prejudicaram e ainda ameaçam as barragens de rejeitos?

      Redação Correio do Pará por Redação Correio do Pará
      27 de janeiro de 2026
      em Destaques, Noticias, Saúde, Social
      0
      Como as chuvas prejudicaram e ainda ameaçam as barragens de rejeitos?

      Com a previsão de grande volume de chuva para março, como é usual, aumenta a preocupação com a possibilidade de rompimento de barragens

      Nos últimos anos, o país vivenciou o sofrimento dramático pelos rompimentos das barragens em Mariana (2015) e Brumadinho (2019), ambas com a responsabilidade da mineradora Vale, em Minas Gerais. As destruições tiveram proporções imensas, ocasionando a morte de dezenas de pessoas, deixando milhares de desabrigados e trazendo danos ambientais imensuráveis.

      Nos primeiros dias de 2022, outro episódio envolvendo a barragem de mineração assustou a população. A barragem da Mina do Pau Branco transbordou e invadiu a Rodovia BR-040 na cidade mineira de Nova Lima.

      O derramamento da lama foi desencadeado pelo grande volume de chuva sobre a região, bastante acima da média comum ao mês de janeiro, mas sempre possível, dada a variabilidade climática.

      Chuvas intensas

      De fato, os temporais estão mais acentuados e frequentes do que os dos últimos anos. Em Belo Horizonte, por exemplo, em meados de fevereiro, todas as regiões já haviam superado a média de chuvas para o mês e algumas delas, quase atingindo o dobro da média.

      No entanto, não é apenas Minas Gerais que está recebendo altos índices de precipitações.

      Inundações, desmoronamentos de terra, transbordamentos de rios são notícias constantes nos noticiários de outras regiões do país.

      Em dezembro, temporais e alagamentos colocaram 175 municípios da Bahia em estado de emergência.

      No mês seguinte, várias cidades da região metropolitana de São Paulo foram atingidas por tempestades torrenciais que provocaram inundações e deslizamentos de terras, ocasionando a morte de dezenas de pessoas.

      Na semana passada, Petrópolis, município da região serrana do Rio de Janeiro, teve a maior tempestade da sua história: choveu em seis horas o volume esperado para todo o mês de fevereiro, culminando numa tragédia com mais de 150 mortes até o momento. Trouxe tristes lembranças da catástrofe similar de 2011.

      Mudanças Climáticas

      Como sabemos, o verão brasileiro é marcado por altas temperaturas e chuvas intensas. Entretanto, nas últimas décadas, as mudanças climáticas vêm intensificando estes fenômenos naturais, criando eventos climáticos extremos.

      O aquecimento global, aumento da temperatura média dos oceanos e da camada de ar próxima à superfície da Terra, tem contribuído para a formação de chuvas torrenciais.

      À medida que o oceano aquece, mais água evapora no ar que está mais aquecido e tem maior potencial para retenção de umidade, gerando assim nuvens mais “carregadas” e, consequentemente, chuvas mais fortes.

      Segundo o INMETRO (Instituto Nacional de Meteorologia), a previsão para o mês de março é de mais chuvas volumosas em diversas regiões do país. As águas de março (fechando o verão) são, potencialmente, mais perigosas pois caem sobre o solo já saturado por todo o período chuvoso, iniciado em novembro.

      Esta notícia provoca uma preocupação mais intensa com o risco de rompimento das barragens de rejeitos: o quanto as barragens estão ameaçadas pelas chuvas adicionais?

      Entendendo as barragens

      No processo de mineração, o beneficiamento ou tratamento de minério é parte essencial. Trata-se do conjunto de operações que transforma a rocha em matéria-prima para a indústria. Em outras palavras, o processo consiste em separar o material valioso que contém os minerais do restante, sem valor comercial, chamado de rejeito.

      Para depositar esses materiais descartados, as usinas constroem as barragens de rejeitos que são construções projetadas para a contenção e acúmulo de líquidos e de mistura de líquidos e sólidos.

      À medida que detritos são depositados, a parte sólida se acomoda no fundo ou forma os respaldos da barragem, chamado método por montante, enquanto o líquido é represado.

      Com o excesso de chuvas, existe o risco das barragens transbordarem, vazarem ou romperem completamente. A força da água também pressiona os taludes, as faces inclinadas que formam o corpo das barragens, podendo levar ao desmoronamento ou à liquefação de toda a massa que passa a avançar como um fluido viscoso. Caso filmado em Brumadinho.

      Qual a situação das barragens no Brasil?

      A Agência Nacional de Mineração (ANM) monitora a situação das 905 barragens de rejeitos cadastradas no SIGBM (Sistema Integrado de Gestão de Barragens de Mineração).

      Boletins periódicos informam as vistorias realizadas pelas equipes de segurança, classificação da categoria de risco das barragens, quais estão em emergência, alterações e evoluções ao longo dos meses, entre outros dados.

      De acordo com último boletim divulgado pela ANM, o Brasil possui 42 barragens em estado de emergência declarada, categorizadas em níveis 1, 2 ou 3, de acordo com seu risco.

      Atualmente, existem três barragens no mais alto nível de emergência (nível 3), quando o rompimento é iminente ou já está em curso. São elas: B3/B4 em Nova Lima, Forquilha III em Ouro Preto e Sul Superior em Barão dos Cocais, todas em Minas Gerais.

      O que está sendo feito?

      A legislação sobre barragens de rejeitos vem passando por modificações relevantes nos últimos anos. Entre as principais alterações, está a proibição da utilização de barragens pelo método conhecido como “alteamento a montante”, quando os diques de contenção são de rejeitos e se apoiam nos próprios rejeitos já depositados.

      As barragens de Mariana e Brumadinho que colapsaram, utilizaram este método.

      Especialistas garantem que existem métodos mais adequados e seguros do que o método a montante. Porém, por serem mais onerosos, não se tornam a principal escolha das mineradoras, pois afetam o lucro.

      O assunto é complexo e repleto de questões como, responsabilidade das empresas, cuidados com as comunidades que vivem próximas às barragens, impactos ambientais, tecnologias disponíveis e segurança da população.

      Para mais aprofundamento do tema, a indicação é buscar informações em livros sobre barragens, técnicos e científicos das áreas de engenharia civil e ciências socioambientais.

      A barragem de Fundão que se rompeu em Mariana não será reconstruída e a barragem da Mina de Córrego do Feijão, em Brumadinho, já estava paralisada no momento do seu rompimento.

      A Vale anunciou que irá desativar ao longo deste ano, mais 5 barragens construídas pelo método a montante. Além disso, está construindo barreiras de contenção próximas às suas barragens com nível de emergência 3 para que, em caso de rompimento, consiga bloquear o avanço dos rejeitos.

      Imagem ilustrativa

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