O governo de Honduras declarou estado de alerta em 234 dos 298 municípios do país devido à grave seca provocada pelo fenômeno climático Super El Niño. A medida foi anunciada na quarta-feira (19), inclui a capital Tegucigalpa e não tem prazo definido para terminar.
A falta de chuva por um longo período já provocou perdas na agricultura e a morte de animais, aumentando a preocupação com o abastecimento de alimentos. Segundo o presidente de Honduras, Nasry Asfura, a estiagem, acompanhada de temperaturas elevadas, deve continuar até os primeiros meses de 2027.
A Comissão Permanente de Contingências (COPECO) dividiu os municípios atingidos em três níveis de alerta. Setenta e cinco estão em alerta vermelho, considerado o nível mais grave e que exige medidas imediatas para proteger a população. Outros 71 municípios estão em alerta amarelo, que indica a necessidade de atenção e adoção de medidas preventivas. Os 88 restantes estão em alerta verde, com acompanhamento contínuo da situação.
De acordo com o Centro Nacional de Estudos Atmosféricos, Oceanográficos e Sísmicos (CENAOS), o atraso no período de chuvas provocou um déficit de 100 a 200 milímetros de precipitação. A previsão também indica temperaturas até 1 °C acima da média até agosto, principalmente no sul do país e na região conhecida como Corredor Seco da América Central.
Para enfrentar os efeitos da estiagem, o governo anunciou medidas como perfuração de poços, construção de reservatórios, envio de máquinas para as áreas mais afetadas, distribuição de água potável, entrega de alimentos e auxílio financeiro para produtores rurais.
O fenômeno El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e pode provocar mudanças nos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do mundo. Segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas, a situação aumenta o risco de insegurança alimentar em países da América Central.
Os efeitos do fenômeno também são sentidos em outras partes do mundo. No Peru, cidades foram colocadas em situação de emergência devido aos impactos climáticos, enquanto a Indonésia enfrenta uma temporada de incêndios florestais considerada uma das mais graves dos últimos anos.
Foto: Reprodução/NOAA Satellites









