A Justiça manteve a condenação de um servidor público acusado de fraudar seguradoras ao amputar o próprio pé em uma tentativa de obter cerca de R$ 1,5 milhão em indenizações por invalidez permanente. Após ter o recurso negado, o condenado iniciou o cumprimento da pena de dois anos de prisão em maio deste ano.
Conforme consta no processo, Vanderley dos Santos, servidor do município de Amélia Rodrigues, no Recôncavo Baiano, contratou quatro apólices de seguro entre junho e julho de 2019. Juntas, elas garantiam o pagamento de até R$ 1,5 milhão em caso de invalidez decorrente de acidente.
Dias após a contratação dos seguros, Vanderley informou às autoridades ter sido vítima de um assalto na madrugada de 10 de julho de 2019, em uma estrada vicinal do povoado de Mercês, na zona rural de São Gonçalo dos Campos, na Bahia. Segundo sua versão, criminosos teriam roubado seus pertences e amputado seu pé direito com golpes semelhantes aos de um facão.
As suspeitas de fraude surgiram após sistemas de inteligência das seguradoras identificarem inconsistências no caso. O curto intervalo entre a contratação das apólices, os elevados valores segurados e a rapidez na solicitação das indenizações motivaram uma investigação detalhada.
Durante as apurações, perícias médicas concluíram que a amputação não apresentava características compatíveis com um ataque violento. De acordo com representantes das seguradoras, os laudos indicaram que o procedimento foi realizado com técnicas que demonstravam conhecimento cirúrgico, enfraquecendo a versão apresentada pelo servidor.
Outro elemento considerado relevante pela investigação foi a localização do pé amputado dentro de uma mochila, junto aos objetos que Vanderley alegava terem sido roubados durante o suposto assalto.
Para a Justiça, a sequência de contratações dos seguros, os valores envolvidos, incompatíveis com a condição financeira do acusado, e a proximidade entre as apólices e a mutilação demonstraram o planejamento da fraude.
Com base em laudos periciais, documentos das seguradoras, relatórios médicos e depoimentos reunidos durante a investigação, o Tribunal de Justiça da Bahia manteve a condenação por fraude para obtenção de indenização securitária.








